
Completo dez anos de rio de janeiro. mais silêncios que palavras. Coisas da saudade, que se mistura aos dias se passam pela janela do quarto. Janela grande, com vista para o horizonte. Por entre os cinzas, aprendi a enxergar esperanças e cores. Aprendi a apreciar a vista da janela minha, já uma grande conquista. Lembro ainda do quarto primeiro, frio e pequeno demais para os meus sonhos. É pelo horizonte da janela que traço novas janelas e novos sonhos, cada vez maiores e mais dotados da mulher que o Rio faz de mim, misturada à saudade e a baianidade que corre em minhas veias. Não espera tanto. Não esperava que os dias passassem virando semanas, meses, anos. Dois deles. Desistir nunca foi uma opção. Segui a risca o conselho de quem nunca me viu e sempre me amou: “destrua todas as pontes que te ligam ao seu passado”. Assim, a estrada sempre seguiu adiante e permaneceram comigo apenas as pessoas presentes, os amores, os amigos, a família e os sonhos. Não sei o que vai ser. Cheguei aqui com sonhos soltos e uma grande ferida viva, um desejo de ser nova, como se pela primeira vez. Acumulei nova bagagem, alguns trocados e muita força. Aprendi a admirar pequenas conquistas, a fazer arroz, a odiar passar roupa e amar na distância. Aprendi a aceitar o que não se pode mudar, mas nem por isso desisti de tornar as coisas mais alegres e leves. Insisto no sorriso. Construí um amor de amar para sempre e, no final, Rio de Janeiro me devolveu o meu melhor: o poder de acreditar. Obrigada a todos que acreditam comigo.