
Estou em carne viva. Entranhas expostas e lágrimas com vida própria. Estou sentido tudo . Todas as dores, todas as dúvidas, todos os medos, todos os abandonos. Sinta falta da juventude e lamento parecer tão velha. São meus cacos pela sala e sou eu em lugar algum. É que estou em carne viva e sinto tudo. E dói. E faz doer a imprecisão dos sonhos e a invisibilidade dos fantasmas. A distância das pessoas, o pó pelo quarto e tomando conta das coisas. A sujeira pelo piso e presa ao meu pé. Tudo dói na carne e na carência, na incerteza do que virá. A pele dos lábios se fantasia de sorrisos e eu insisto em acreditar. E, assim, transformo versos tristes em prosa e poesia e espero o futuro como se minhas certezas nunca tivessem sido arrancadas das minhas mãos. Eu espero o melhor das pessoas como se elas nunca tivessem mentido e fossem tão sinceras como eu aprendi a ser. Eu espero pelo arco-íris como se eu nunca tivesse vivido dias cinzas e enfrentado as piores tempestades. Eu espero por milagres com uma fé cega, como se tantas lágrimas não tivessem sido derramadas enquanto navios naufragavam dentro de mim. Eu espero o futuro, às custas de algum sofrimento, de muitas separações e infinitas saudades.
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