Um amigo, um diário.

UM AMIGO ,UM DIÁRIO!

Um lugar de expor sentimentos(...), como não fazemos a ninguém.
Onde ninguém percebe o nosso rubor na face quando falamos o que nos vem a mente; onde não precisamos medir as palavras com medo do que os outros podem pensar.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Tempo de mudança


Tenho que retomar minha vida, eu sei. Estou velha e rabugenta num corpo ainda novo e jeito de vida. Estou descrente, em mim. Tenho que reencontrar em mim um dia que nasce com fé. Tenho que retomar meus projetos, reaver meus sonhos, reaver meus objetivos, saber para onde olhar ou, simplesmente, olhar, enxergar e ver. Isso já é um começo. A percepção . Despir-me da preguiça e indiferença dos dias cinzas e experimentar novas cores para os meus dias, que tem passado em tons pastéis. Os projetos se acumulam entre meus medos e minhas angústias. Olho tão na frente que tropeço no aqui e no agora. Não vou, nem fico. Passo, apática. Quero inspirar-me novamente e derramar palavras loucas, cheias da vida que pulsa em algum lugar de mim. Quero mudar meus hábitos, iniciar meus estudos, aproveitar melhor meu tempo enquanto espero pelos dias que virão, que vem a cada manhã e morrem escorridos pelas mãos frias. Quero eu ir até meus próximos dias, caminhando com meus próprios pés e por vontade própria. Quero ser minha própria dona e, sendo, fazer mais por mim. Quero limpar as prateleiras do desânimo e aproveitar melhor meu tempo livre. Recomeço uma nova tentativa de tirar de mim minha apatia e meus movimentos robóticos, sorrisos, inclusive. Quero estar em paz. Quero tentar ser feliz nos pequenos desafios diários, assumir comigo compromissos e encará-los até o fim. Não quero mais a sensação de impotência diante dos segundos que se transformam em minutos, horas, dias, meses, anos... quero, agora, o que quis ontem, mas quero co o poder do realizável. Quero poder realizar todos os projetos e vou começar pelos pequenos. Voltar a estudar. Vou precisar de ajuda. Vou precisar de muito de mim. Daquela que eu não reconheço no passar das horas corridas do dia que só quer chegar ao fim.

Aqui comigo


De certa forma, estou anestesiada. Penso que talvez seja muito tarde, mesmo que cedo, e o tempo parece correr contra mim. O quase nunca é, quase sempre, o sonho que escorre por entre os dedos da mão, pelos vãos que eu mesma criei com meus medos bobos e minhas dúvidas intermináveis. Estou viva e é assim que quero me sentir, mesmo nas minhas lágrimas feitas de espera por sorrisos e abraços. Não quero lamentar o que não vivi, mas, vez ou outra, voltam a mim os fantasmas da infância e eu não sei o que quero ser quando crescer. Cresci e isso dói muitas vezes. Talvez eu possa ser criança ainda mais uma vez. Ser leve sem nenhum peso e, ao avesso, ser pela primeira vez como se não houvesse antes do depois. Quero é o presente, viver o agora com toda a sua intensidade, mesmo que tudo seja tão confuso. Minhas pernas se embaraçam de um jeito sempre torto e passeiam desatentas por ai. Numa dessas esquinas de mim, em um emaranhado de todas as coisas e todas as faltas, talvez haja o encontro, ou quem sabe o descaminho, como um novo rumo até o próximo destino.