
Tenho que retomar minha vida, eu sei. Estou velha e rabugenta num corpo ainda novo e jeito de vida. Estou descrente, em mim. Tenho que reencontrar em mim um dia que nasce com fé. Tenho que retomar meus projetos, reaver meus sonhos, reaver meus objetivos, saber para onde olhar ou, simplesmente, olhar, enxergar e ver. Isso já é um começo. A percepção . Despir-me da preguiça e indiferença dos dias cinzas e experimentar novas cores para os meus dias, que tem passado em tons pastéis. Os projetos se acumulam entre meus medos e minhas angústias. Olho tão na frente que tropeço no aqui e no agora. Não vou, nem fico. Passo, apática. Quero inspirar-me novamente e derramar palavras loucas, cheias da vida que pulsa em algum lugar de mim. Quero mudar meus hábitos, iniciar meus estudos, aproveitar melhor meu tempo enquanto espero pelos dias que virão, que vem a cada manhã e morrem escorridos pelas mãos frias. Quero eu ir até meus próximos dias, caminhando com meus próprios pés e por vontade própria. Quero ser minha própria dona e, sendo, fazer mais por mim. Quero limpar as prateleiras do desânimo e aproveitar melhor meu tempo livre. Recomeço uma nova tentativa de tirar de mim minha apatia e meus movimentos robóticos, sorrisos, inclusive. Quero estar em paz. Quero tentar ser feliz nos pequenos desafios diários, assumir comigo compromissos e encará-los até o fim. Não quero mais a sensação de impotência diante dos segundos que se transformam em minutos, horas, dias, meses, anos... quero, agora, o que quis ontem, mas quero co o poder do realizável. Quero poder realizar todos os projetos e vou começar pelos pequenos. Voltar a estudar. Vou precisar de ajuda. Vou precisar de muito de mim. Daquela que eu não reconheço no passar das horas corridas do dia que só quer chegar ao fim.
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